segunda-feira, 1 de junho de 2015

SINALIZAÇÃO


SINALIZAÇÃO



O que mais interessa a um sobrevivente ou grupo de sobreviventes é ser
encontrado, quer por socorro terrestre ou fluvial, quer por socorro aéreo.
Portanto, se for utilizado um processo qualquer para sinalização, poderá haver
possibilidades amplas de sucesso, desde que esse processo seja o mais
adequado para a ocasião ou situação.
 PROCEDIMENTO GERAL
a. Se o grupo for composto por indivíduos, militares ou civis, que partiram
de uma base de operações para o cumprimento de uma missão na selva, via
terrestre ou fluvial, será natural que conduzam consigo os meios materiais
necessários ao bom desempenho da missão. Nesse caso, se perdidos e tendo
de sobreviver até serem encontrados, o problema não se revestirá de perspectivas
sombrias, pois o escalão superior saberá o que estão fazendo e onde
poderão estar. Haverá, portanto, uma base segura para a partida do socorro.
Em matéria de sinalização, por outro lado, um código já teria sido estabelecido
entre eles, restando, portanto, pô-lo em execução.
b. Os processos mais simples e comuns serão: por apito, por tiro (2 tiros

já é o convencional entre caçadores e militares da AMAZÔNIA), por batidas em
sapopemas (as grandes raízes), ou qualquer outro à base da acústica, uma vez
que os visuais surtirão pouco efeito por causa da vegetação, e as fogueiras e
lanternas, mesmo à noite, serão percebidas só de muito perto, quando os
acústicos já surtiram efeito.
c. A fumaça, produzida por queima de vegetais e outros materiais
disponíveis (pneus, borracha, etc), poderá ser vista à distância por indivíduos
embarcados em aeronaves. Contudo se a fumaça for clara poderá ser confundida
com a névoa que é comum nas primeiras horas da manhã na AMAZÔNIA.
d. Se o elemento decidir, por sua vez, tentar a navegação não deverá
esquecer de ir balizando o percurso; para isto, além de sinalizar por meios
acústicos a espaços de tempo regulares irá assinalando sua passagem pela
quebra de pequenos galhos, de marcas nas árvores, de objetos ou parte deles
deixados pendurados, etc.
DESASTRE AÉREO
a. Se a necessidade de sobreviver for decorrente de um desastre de
aviação na selva, as condições que cercarão os sobreviventes serão possivelmente
diferentes. Mortos e feridos, alguns destes sem condições de locomoverse,
servirão para agravar o problema. Se a aeronave não se incendiar, ainda
que toda destruída, provavelmente fornecerá muitos meios a serem utilizados
pelos que se salvarem, particularmente alimentos, medicamentos, bússola,
armas, ferramentas, espelhos, cordas, fios elétricos etc, tudo isto será alentador,
mesmo diante do provável quadro adverso. Restará saber aproveitar o que
for possível, porquanto, ainda que tenha havido incêndio, alguma coisa restará
que possa ser utilizada.
b. Será óbvio que a aeronave decolou de algum lugar e com um destino
conhecido; a dúvida ficará no quando e onde se deu o acidente. Portanto, a base
de partida para as buscas, quer seja a inicial, quer outras suplementares
montadas como auxiliares, serão os processos peculiares de busca e salvamento;
e, enquanto isto estiver ocorrendo, os que se salvaram terão de lutar
para sobreviver. Seus pensamentos e esperanças serão conduzidos para o
socorro, e este, em casos semelhantes, apresentar-se-á, vindo pelos ares, na
grande maioria das vezes. Mas será preciso cooperar, mesmo em situação
precária. Será aí, então, o momento em que a sinalização de terra para o ar
representará papel preponderante.
c. De início, não se deverá abandonar as imediações do local da queda
do avião; primeiro, pela fonte de recursos que o aparelho poderá representar;
segundo, porque geralmente a ação da queda destrói a vegetação, abrindo uma
clareira, o que poderá ser uma ótima referência para quem sobrevoa a área;
terceiro, porque o próprio aparelho poderá servir de abrigo, particularmente
contra a chuva; e quarto, porque: “ir para onde?”. É mais fácil localizar do ar os
destroços da aeronave do que um grupo de homens no interior de selva.

d. O máximo que se poderá tentar, no caso de decidido um deslocamento,
será a busca de uma clareira, um lago, ou um curso de água, locais que
facilitarão a sinalização terra-ar; ainda assim, a tentativa deverá revestir-se de
todas as medidas de segurança possíveis, com a preocupação sempre presente
de que esses locais deverão estar a céu aberto, porquanto avistar, do ar, um
homem ou um grupo perdido na floresta, mesmo sinalizando, será tarefa
dificílima.
e. Atualmente, muitas aeronaves possuem transmissores localizadores
de emergência que foram desenvolvidos para auxiliar a localização daquelas
em caso de acidentes. Um dos sistemas - NARCO ELT -10 - emite sinais por
sete dias nas freqüências alerta internacional 121,5 MHz e 243,0 MHz e
cobertura mundial na freqüência 406 MHz. Normalmente é localizado na altura
da cabeça do co-piloto e parece com um pequeno transmissor portátil. Seu sinal
somente será ouvido no local se o receptor da aeronave estiver funcionando,
porém será captado por satélite que o devolverá à estação terrestre do
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, em CACHOEIRA
PAULISTA-SP, com informações das prováveis coordenadas do local emissor

do sinal, bem como poderá ser captado pelas aeronaves de busca.

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