segunda-feira, 1 de junho de 2015

CÓDIGO DE SINAIS VISUAIS TERRA-AR


CÓDIGO DE SINAIS VISUAIS TERRA-AR

A selva fornecerá o material necessário para a sinalização com base no
código de sinais apresentado na
 Seria aconselhável que uma cópia
desse Código, em um pequeno cartão, acompanhasse sempre aqueles que, por
qualquer motivo, correm o risco de se encontrar em uma situação difícil na
selva.





PROCESSOS DE SINALIZAÇÃO



PROCESSOS DE SINALIZAÇÃO
De terra para o ar a sinalização terá de ser visual. Vários são os recursos
dos quais se poderá lançar mão para sinalizar. Alguns serão apresentados a
seguir:
a. Fumaça
(1) A fumaça só será usada durante o dia. De nada adiantará fazer
fumaça sob o copado fechado; primeiro, porque ela não vencerá a altura desse
copado, e segundo, porque, mesmo que o vença, será facilmente confundida
com a fumaça ou nevoeiro que comumente existe na floresta, em conseqüência
da evaporação das águas.
(2) As fumaças nas cores amarela ou vermelha serão as mais visíveis,
mas dependerão da existência de artifícios pirotécnicos para produzi-las, os
quais só deverão ser empregados quando se avistar ou ouvir o ruído de
aeronaves. A fumaça branca poderá ser obtida de uma fogueira, na qual, serão
lançadas folhas e ramos verdes, limo das árvores ou simplesmente salpicando
água; a fumaça preta resultará da queima de óleo, borracha, estopa embebida
em óleo, materiais que poderão ser obtidos, se for o caso, no avião acidentado.
b. Chama - A chama, quer das fogueiras, quer obtida pela queima de
materiais fosfóricos, será o recurso para sinalizar durante a noite. Apesar de,
normalmente, as buscas se efetuarem à luz do dia, poderá acontecer que
qualquer outra aeronave passe pelo local e observe o sinal.
d. Espelhos - Na falta de outros meios, poderão ser usados quaisquer
objetos que possuam superfície polida (tampas de lata, pedaços da aeronave),
que produzam reflexos contra o sol. Serão usados dirigindo-se esses reflexos

na direção de onde vem o ruído de motores, mesmo que não se aviste a
aeronave e mesmo em dias nublados.
e. Diversos - Se existirem painéis, deverão ser hasteados e balançados;
se houver tinta fosforescente, poderá ser derramada uma pequena quantidade
num lago, lagoa ou curso de água, que ela se espalhará rapidamente por uma
grande área; o local de permanência deverá ser “desarrumado” o mais possível,
procurando quebrar a aparência normal e monótona da vegetação de selva.

SINALIZAÇÃO


SINALIZAÇÃO



O que mais interessa a um sobrevivente ou grupo de sobreviventes é ser
encontrado, quer por socorro terrestre ou fluvial, quer por socorro aéreo.
Portanto, se for utilizado um processo qualquer para sinalização, poderá haver
possibilidades amplas de sucesso, desde que esse processo seja o mais
adequado para a ocasião ou situação.
 PROCEDIMENTO GERAL
a. Se o grupo for composto por indivíduos, militares ou civis, que partiram
de uma base de operações para o cumprimento de uma missão na selva, via
terrestre ou fluvial, será natural que conduzam consigo os meios materiais
necessários ao bom desempenho da missão. Nesse caso, se perdidos e tendo
de sobreviver até serem encontrados, o problema não se revestirá de perspectivas
sombrias, pois o escalão superior saberá o que estão fazendo e onde
poderão estar. Haverá, portanto, uma base segura para a partida do socorro.
Em matéria de sinalização, por outro lado, um código já teria sido estabelecido
entre eles, restando, portanto, pô-lo em execução.
b. Os processos mais simples e comuns serão: por apito, por tiro (2 tiros

já é o convencional entre caçadores e militares da AMAZÔNIA), por batidas em
sapopemas (as grandes raízes), ou qualquer outro à base da acústica, uma vez
que os visuais surtirão pouco efeito por causa da vegetação, e as fogueiras e
lanternas, mesmo à noite, serão percebidas só de muito perto, quando os
acústicos já surtiram efeito.
c. A fumaça, produzida por queima de vegetais e outros materiais
disponíveis (pneus, borracha, etc), poderá ser vista à distância por indivíduos
embarcados em aeronaves. Contudo se a fumaça for clara poderá ser confundida
com a névoa que é comum nas primeiras horas da manhã na AMAZÔNIA.
d. Se o elemento decidir, por sua vez, tentar a navegação não deverá
esquecer de ir balizando o percurso; para isto, além de sinalizar por meios
acústicos a espaços de tempo regulares irá assinalando sua passagem pela
quebra de pequenos galhos, de marcas nas árvores, de objetos ou parte deles
deixados pendurados, etc.
DESASTRE AÉREO
a. Se a necessidade de sobreviver for decorrente de um desastre de
aviação na selva, as condições que cercarão os sobreviventes serão possivelmente
diferentes. Mortos e feridos, alguns destes sem condições de locomoverse,
servirão para agravar o problema. Se a aeronave não se incendiar, ainda
que toda destruída, provavelmente fornecerá muitos meios a serem utilizados
pelos que se salvarem, particularmente alimentos, medicamentos, bússola,
armas, ferramentas, espelhos, cordas, fios elétricos etc, tudo isto será alentador,
mesmo diante do provável quadro adverso. Restará saber aproveitar o que
for possível, porquanto, ainda que tenha havido incêndio, alguma coisa restará
que possa ser utilizada.
b. Será óbvio que a aeronave decolou de algum lugar e com um destino
conhecido; a dúvida ficará no quando e onde se deu o acidente. Portanto, a base
de partida para as buscas, quer seja a inicial, quer outras suplementares
montadas como auxiliares, serão os processos peculiares de busca e salvamento;
e, enquanto isto estiver ocorrendo, os que se salvaram terão de lutar
para sobreviver. Seus pensamentos e esperanças serão conduzidos para o
socorro, e este, em casos semelhantes, apresentar-se-á, vindo pelos ares, na
grande maioria das vezes. Mas será preciso cooperar, mesmo em situação
precária. Será aí, então, o momento em que a sinalização de terra para o ar
representará papel preponderante.
c. De início, não se deverá abandonar as imediações do local da queda
do avião; primeiro, pela fonte de recursos que o aparelho poderá representar;
segundo, porque geralmente a ação da queda destrói a vegetação, abrindo uma
clareira, o que poderá ser uma ótima referência para quem sobrevoa a área;
terceiro, porque o próprio aparelho poderá servir de abrigo, particularmente
contra a chuva; e quarto, porque: “ir para onde?”. É mais fácil localizar do ar os
destroços da aeronave do que um grupo de homens no interior de selva.

d. O máximo que se poderá tentar, no caso de decidido um deslocamento,
será a busca de uma clareira, um lago, ou um curso de água, locais que
facilitarão a sinalização terra-ar; ainda assim, a tentativa deverá revestir-se de
todas as medidas de segurança possíveis, com a preocupação sempre presente
de que esses locais deverão estar a céu aberto, porquanto avistar, do ar, um
homem ou um grupo perdido na floresta, mesmo sinalizando, será tarefa
dificílima.
e. Atualmente, muitas aeronaves possuem transmissores localizadores
de emergência que foram desenvolvidos para auxiliar a localização daquelas
em caso de acidentes. Um dos sistemas - NARCO ELT -10 - emite sinais por
sete dias nas freqüências alerta internacional 121,5 MHz e 243,0 MHz e
cobertura mundial na freqüência 406 MHz. Normalmente é localizado na altura
da cabeça do co-piloto e parece com um pequeno transmissor portátil. Seu sinal
somente será ouvido no local se o receptor da aeronave estiver funcionando,
porém será captado por satélite que o devolverá à estação terrestre do
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, em CACHOEIRA
PAULISTA-SP, com informações das prováveis coordenadas do local emissor

do sinal, bem como poderá ser captado pelas aeronaves de busca.

Técnica da Navegação

Técnica da Navegação

(1) Com exceção do paladar, os demais sentidos serão bastante
solicitados à noite.
(2) A vista, mesmo após adaptada à escuridão, sentir-se-á cansada
ante o esforço duplicado para enxergar.

(3) O tato a todo momento estará em função, esquadrinhando o espaço
à frente e dos lados, identificando possíveis obstáculos à progressão; os pés
sondarão o terreno para a execução de um simples passo à frente ou para os
lados; as mãos, por vezes, com o homem acocorado, realizarão as mesmas
sondagens, inclusive acima da cabeça; caso se pretenda sentar ou deitar, a
busca terá então de ser mais detalhada e demorada para evitar surpresas; a
falta de um objeto exigirá um tateamento em todas as direções e alturas; para
ir balizando a direção de marcha terão que ser procurados ramos frágeis e
quebradiços.
(4) O olfato procurará identificar possíveis odores que sirvam para
auxiliar a busca de um objetivo como os de cigarro aceso, de cozinha, de
fumaça produzida por lenha de fogueiras, etc.
(5) A audição procurará identificar os sons comuns, bem como as
distâncias em que são produzidos; poderão ocorrer ilusões, pois a selva afeta
a noção de distância.
(6) Após essas considerações,e por experiências vividas, fácil é
chegar à conclusão de que os deslocamentos noturnos não serão compensadores,
sendo inclusive, perigosos. Entretanto, se necessários, poderão ser executados,
pois sua técnica será a mesma que a da navegação diurna, tendo-se,
porém, que levar em conta as observações anteriores.

NAVEGAÇÃO TERRESTRE NOTURNA


NAVEGAÇÃO TERRESTRE NOTURNA


Equipe de Navegação - Será válido aqui tudo o que foi dito para a
navegação diurna. Apenas alguns pontos terão que ser chamados à atenção.
Assim:
(1) O homem-ponto deverá portar um bastão de 2 metros de comprimento,
no qual será afixada uma tira ou fita luminosa (fosforescente), a fim de
servir de objetivo para a visada do homem-bússola; esse bastão servirá
também para ajudar a manter o equilíbrio e para esquadrinhar o terreno a
percorrer. Duas tiras verticais de fita luminosa, separadas, aproximadamente
de dois centímetros, deverão ser colocadas na parte posterior da cobertura da
cabeça; uma tira apenas, poderá causar efeitos hipnóticos e prejudicar as
visadas. Na falta de cobertura, deverão as tiras ser colocadas na gola da
camisa. Se não se dispuser desse material luminoso, lançar-se-á mão da
matéria fosforescente dos vagalumes, que existem aos milhares na selva, e
mesmo de algumas folhas caídas que produzem luminosidade.
(2) O homem-bússola deverá portar uma bússola luminosa e tanto ele
como todos os outros do grupo deverão estar bem familiarizados com seu uso,
porque, à noite, o manejo será diferente e, conforme o tipo do instrumento, até
a audição terá de ser empregada. Será o caso da bússola que possui anel
serrilhado móvel, que gira para a direita e esquerda, fazendo um barulho
característico - o clique - que representará um certo número de graus, conforme
o tipo do aparelho. As mesmas identificações luminosas deverão ser portadas
pelo homem-bússola para guiar os homens da retaguarda. Além disso, os
lanços do homem-ponto deverão ser muito bem controlados pelo homem bússola,
uma vez que, durante a noite, a visibilidade restringir-se-á a uns 3 ou
4 metros com referência a sinais luminosos.
(3) O homem-passo, durante a noite, será mais importante que durante
o dia. Deverá deslocar-se junto ao homem-bússola, para não se perder, e
observará que a contagem de passos tornar-se-á uma operação monótona.
Portará também referências luminosas.
(4) O homem-carta, sem visibilidade, não atuará; limitar-se-á a confrontar
as distâncias percorridas com os acidentes geográficos encontrados e
concorrer ao rodízio de funções, o que será muito importante na navegação
noturna.
(5) Toda a equipe de navegação, ou grupo que a enquadra, deverá
procurar deslocar-se com seus elementos o mais próximos uns dos outros;
todos deverão portar identificações luminosas, bem como ter estabelecido
entre si um código simples de sinais. Terão que redobrar os cuidados para não
perder objetos ou equipamentos quaisquer. Se houver lampiões, lanternas ou

lamparinas, as condições de marcha melhorarão sensivelmente.Equipe de Navegação - Será válido aqui tudo o que foi dito para a
navegação diurna. Apenas alguns pontos terão que ser chamados à atenção.
Assim:
(1) O homem-ponto deverá portar um bastão de 2 metros de comprimento,
no qual será afixada uma tira ou fita luminosa (fosforescente), a fim de
servir de objetivo para a visada do homem-bússola; esse bastão servirá
também para ajudar a manter o equilíbrio e para esquadrinhar o terreno a
percorrer. Duas tiras verticais de fita luminosa, separadas, aproximadamente
de dois centímetros, deverão ser colocadas na parte posterior da cobertura da
cabeça; uma tira apenas, poderá causar efeitos hipnóticos e prejudicar as
visadas. Na falta de cobertura, deverão as tiras ser colocadas na gola da
camisa. Se não se dispuser desse material luminoso, lançar-se-á mão da
matéria fosforescente dos vaga-lumes, que existem aos milhares na selva, e
mesmo de algumas folhas caídas que produzem luminosidade.
(2) O homem-bússola deverá portar uma bússola luminosa e tanto ele
como todos os outros do grupo deverão estar bem familiarizados com seu uso,
porque, à noite, o manejo será diferente e, conforme o tipo do instrumento, até
a audição terá de ser empregada. Será o caso da bússola que possui anel
serrilhado móvel, que gira para a direita e esquerda, fazendo um barulho
característico - o clique - que representará um certo número de graus, conforme
o tipo do aparelho. As mesmas identificações luminosas deverão ser portadas
pelo homem-bússola para guiar os homens da retaguarda. Além disso, os
lanços do homem-ponto deverão ser muito bem controlados pelo homem bússola,
uma vez que, durante a noite, a visibilidade restringir-se-á a uns 3 ou
4 metros com referência a sinais luminosos.
(3) O homem-passo, durante a noite, será mais importante que durante
o dia. Deverá deslocar-se junto ao homem-bússola, para não se perder, e
observará que a contagem de passos tornar-se-á uma operação monótona.
Portará também referências luminosas.
(4) O homem-carta, sem visibilidade, não atuará; limitar-se-á a confrontar
as distâncias percorridas com os acidentes geográficos encontrados e
concorrer ao rodízio de funções, o que será muito importante na navegação
noturna.
(5) Toda a equipe de navegação, ou grupo que a enquadra, deverá
procurar deslocar-se com seus elementos o mais próximos uns dos outros;
todos deverão portar identificações luminosas, bem como ter estabelecido
entre si um código simples de sinais. Terão que redobrar os cuidados para não
perder objetos ou equipamentos quaisquer. Se houver lampiões, lanternas ou
lamparinas, as condições de marcha melhorarão sensivelmente.

domingo, 31 de maio de 2015

orientaçoes gerais

 https://www.youtube.com/channel/UCNuPctXqz7nU0IXUf6U_2Vg/videos


Observação dos Fenômenos Naturais
 - A observação de vários
fenômenos naturais também permite o conhecimento, a grosso modo, da
direção N-S. Assim, os caules das árvores, a superfície das pedras, os mourões
das cercas etc., são mais úmidos na parte voltada para o sul. Entretanto, pela
dificuldade de penetração da luz solar, não será comum na selva a observação
desses fenômenos.
Construção de Abrigos pelos Animais 
 Os animais, de modo geral,
procuram construir seus abrigos com a entrada voltada para o norte, protegendo-
se dos ventos frios do sul e recebendo diretamente o calor e a luz do sol. No
interior da selva amazônica, devido à proteção que ela proporciona barrando os
ventos frios, este processo de orientação não apresenta grande confiabilidade.
f. Orientação pela Carta - As cartas do interior da selva são produzidas
a partir de fotografias aéreas que, ao basear-se nas copas das árvores, não
apresentam a mesma fidelidade obtida em outras regiões. Porém, é possível
ao indivíduo ou grupos se orientarem por cartas com escala igual ou inferior a
1/50.000. Especial atenção deve ser dada na observação das depressões do
terreno, porém, para longos deslocamentos é conveniente utilizar este processo
aliado à orientação pela bússola.
Orientação pela Bússola
 Será o único processo que se mostrará
eficaz, mesmo à noite. Daí a recomendação: “quando se penetra em área de
selva, por via terrestre ou aérea, não esquecer de incluir no equipamento uma
bússola protegida por plástico”. Ela poderá vir a ser a salvação do sobrevivente,
e talvez a única. Por ela, de dia ou de noite, saber-se-á sempre onde fica o norte.
Se em seu limbo houver luminosidade, inclusive a navegação noturna será
possível, porém, o deslocamento será penoso e, geralmente, pouco compensador.
A técnica de emprego é a conhecida. Entretanto, quando houver mais de
um homem, um deles substituirá o ponto de referência, será o homem-ponto,
enquanto aquele que ficar manejando o instrumento será o homem-bússola.
Orientação pelo “Global Position Sistem” (GPS) 
 A orientação pelo
GPS dependerá da potência do sinal recebido dos satélites. No interior da selva
a recepção deste sinal é prejudicada pela cobertura vegetal ficando a utilização
do GPS restrita às áreas de céu aberto. O GPS poderá ser utilizado para auxiliar
na orientação e navegação na Amazônia, principalmente quando em rios,
igarapés e regiões descampadas. O GPS além de fornecer coordenadas
geográficas do local, uma vez registrado um azimute, também permite navegar
seguindo aquela direção, pois ao afastar-se da mesma emitirá um aviso sonoro

orientação Orientação pelas Estrelas



Orientação pelas Estrelas
(1) Estrela Polar - No hemisfério norte, o alinhamento observadorestrela
Polar dará a direção N-S. Essa estrela poderá ser identificada pelas duas
mais afastadas da constelação Ursa Maior, chamadas indicadoras
(2) Cruzeiro do Sul - No hemisfério sul, prolongando-se 4 vezes e meia
o braço maior da cruz, ter-se-á o sul no pé da perpendicular baixada, desta
extremidade, sobre o horizonte

Orientação pelo Relógio

Orientação pelo Relógio
Colocando-se a linha 6-12 horas voltada
para o sol, a direção norte será obtida com a bissetriz do ângulo formado pela
linha 6-12 horas e o ponteiro das horas, utilizando o menor ângulo formado com
a direção 12 horas
 No caso do hemisfério norte, a linha a ser voltada
para o sol será a do ponteiro das horas, e a bissetriz do ângulo desta linha com
a linha 6-12 horas dará a direção sul. Trata-se de um processo que apresenta
consideráveis alterações nas estações do verão e inverno austrais, devido à
inclinação do globo terrestre e a direção em que o sol incide sobre ele, também

nas regiões próximas ao Equador, que é o caso da maior parte da Amazônia
Brasileira. Porém, pode ser utilizado, sem maiores restrições, nas estações da
primavera e outono se o indivíduo ou grupo souber em qual hemisfério se
encontra.

ORIENTAÇÃO



A densidade da vegetação torna a selva “toda igual”; nela não haverá
pontos de referência nítidos. Mesmo aqueles que já possuem alguma experiência
não confiam muito em possíveis referências, porque tudo se confunde
devido à repetição contínua e monótona da floresta fechada; os incontáveis
obstáculos constantemente causarão desequilíbrio e quedas, tornando difícil a
visada permanente sobre determinado ponto; a necessidade de saber onde
pisar ou colocar as mãos desviará, por certo, a direção do raio visual; e,
finalmente, a própria densidade da vegetação só permitirá que se veja entre a
distância de 10 a 30 metros à frente, quando muito. À noite nada se vê, nem a
própria mão a um palmo dos olhos. O luar, quando houver, poderá atenuar um
pouco essa escuridão, sem contudo entusiasmar o deslocamento noturno. O
copado fechado das árvores não permitirá que se observe o sol ou o céu, a não
ser que se esteja em uma clareira, o que, ainda assim, não significará que se
possa efetivamente observá-los, de dia ou de noite, para efeito de orientação,
pois haverá constantemente a possibilidade do céu nublado. Por tudo isso, os
processos de orientação na selva sofrerão severas restrições e, por já constarem
de outros manuais, serão aqui apresentados de modo muito geral. Serão,
também, feitas referências ao hemisfério norte tendo em vista que parte da
Selva AMAZÔNICA pertence àquela parte do globo terrestre.

 PROCESSOS DE ORIENTAÇÃO
a. Orientação pelo Sol - Nascendo o sol a leste e pondo-se a oeste, a
perpendicular mostrará a direção norte-sul. Devido à inclinação variável do
globo terrestre nas várias estações do ano, este processo deverá ser utilizado
somente para se obter uma “direção geral” de deslocamento.

DESLOCAMENTOS NA SELVA

Deslocamento na selva

O indivíduo ou grupo de indivíduos, tomando parte ou não em operações
militares, ao ver-se isolado na selva e tendo necessidade de sobreviver, tenderá
naturalmente a movimentar-se em uma direção qualquer, em busca de
salvação. Será normal esta precipitação, mas totalmente errada, pois muitos já
perderam a vida por se terem deixado dominar pela ânsia de salvar-se, andando
a esmo e entrando, fatalmente, em pânico.
4-2. REGRA GERAL
a. Será aconselhável, em tal emergência, que sejam observadas rigorosamente
as seguintes regras, mine monicamente expressas pela palavra E - S
- A - O - N:
(1) E: - ESTACIONE - fique parado, não ande à toa.
(2) S: - SENTE-SE - para descansar e pensar.
(3) A: - ALIMENTE-SE - saciando a fome e a sede, qualquer um terá
melhores condições para raciocinar.
(4) O: - ORIENTE-SE - procure saber onde está, de onde veio, por onde
veio ou para onde quer ir, utilizando-se do processo que melhor se aplique à
situação.
(5) N: - NAVEGUE - desloque-se na direção selecionada.
b. O “estacionar” e “sentar-se” independerão de maiores conhecimentos;
o “alimentar-se” exigirá, na falta de víveres e água, a aplicação de recursos de
IP 21-80
4-2
emergência para obtê-los da própria selva, o que será apresentado em capítulo
mais adiante. Quanto ao “orientar-se” e “navegar”, serão a seguir abordados os
seus diferentes processos, bem como noções sobre sinalização terra-ar e de
transposição de obstáculos.

MEDIDAS PREVENTIVAS




MEDIDAS PREVENTIVAS

As seguintes regras poderão ser utilizadas a fim de evitar as picadas de
ofídios, aranhas, escorpiões e lacraias:
a. Andar sempre com uma vara, batendo-a, quando necessário, nas
árvores e galhos; o ruído espantará os animais e a própria vara poderá servir
como defesa.
b. Antes de sentar ou deitar, verificar o local com a vara ou com os pés;
evitar sentar sobre toros ou árvores caídas, sem antes examinar à sua volta,
pois são locais preferidos, pelo frescor e sombra, para abrigos de serpentes.
c. Ao vestir-se, verificar se não há animais peçonhentos que tenham
vindo abrigar-se nas peças de roupa, bastando sacudi-las.
d. Examinar os coturnos antes de calçá-los, virando-os e batendo na sola,
pois são locais preferidos para abrigo de aranhas e escorpiões.
e. Ter cuidado ao mexer em folhas de palmeira (surucucu-de-patioba),
montes de folhas ou palhas (aranhas e serpentes) e paus ou tábuas empilhadas
(escorpiões).
f. Na selva, evitar sempre andar isolado. Quando possível, deslocar-se,
no mínimo, em grupos de 3 (três) pessoas

tratamento de mordida de cobra


tratamento

Para tratar uma vítima de empeçonhamento ofídico apenas a
aplicação do soro antiofídico poderá anular o efeito da peçonha. No entanto,
somente poderá ser realizado por pessoal habilitado e dotado com o equipamento
específico pois as complicações que podem advir da soroterapia serão
potencialmente mais fatais que a própria peçonha inoculada no indivíduo (Fig
3-16).
(2) Somente uma equipe de saúde poderá reverter as complicações,
que são comuns na administração de soro antiofídico, através de procedimentos
médicos específicos (entubação endotraqueal, utilização de adrenalina,
corticóides etc). Entre as complicações está o choque anafilático que engloba:
edema de glote, alteração de consciência, hipertensão, braquicardia, apnéia
etc.
(3) O tratamento médico realizado até seis horas após o acidente com
ofídios, normalmente, não deixa sequelas e não é fatal em seres humanos
(exceto nos debilitados e nos que possuem pequeno peso corporal, como as
crianças). Se a inoculação da peçonha ocorrer em local muito vascularizado os
riscos serão maiores, pois os efeitos serão mais precoces.



Ações Imediatas numa Situação de Sobrevivência

(1) Manter o acidentado em repouso.
(2) Limpar o local da picada com água e sabão.
(3) Elevar o membro afetado (visando reduzir a possibilidade de
necrose local).
(4) Não romper lesões bolhosas (que surgem, normalmente, após seis
a doze horas da picada), pela possibilidade de gerar uma infecção secundária
de origem bacteriana.
(5) Não garrotear o membro afetado (para evitar a necrose na região).
(6) Não sugar o ferimento, exceto se a picada ocorreu até 30 minutos
antes (após isto, a picada já estará na corrente sangüínea do indivíduo e não
mais no local).
(7) Não fazer sangria pois a peçonha altera o tempo de coagulação e
poderá provocar uma grande hemorragia, gerando um choque anafilático.
(8) Pode ser administrada água ao vitimado.
(9) Simultaneamente ao atendimento deve ser procurado, por outros
elementos, identificar e, se possível, capturar o ofídio causador do acidente
conduzindo-o à equipe médica que realizará o tratamento.
(10) Havendo a possibilidade de evacuar, em até seis horas, o indivíduo
acidentado até um local onde possa receber tratamento médico especializado,
isto deverá ser feito de imediato.
(11) Não havendo condições de evacuar o acidentado até um centro
médico no prazo de seis horas ele deverá continuar bebendo água. Caso não
haja a expectativa de resgaste ou evacuação em menos de doze horas e não
tenha náuseas ou vômitos o indivíduo poderá consumir alimentos leves,
visando fortalecê-lo. Se o vitimado sentir fortes dores poderá receber o
analgésico DIPIRONA por via oral, intramuscular ou endovenosa, em ordem
crescente de gravidade, ou TYLENOL (PARACETAMOL) por via oral. Não
deve ser administrado ácido acetilsalicílico (ASPIRINA, AAS, MELHORAL...)
e anti-inflamatórios (VOLTAREN, CATAFLAN, BIOFENAC,
FENILBUTAZONA...), pois agravam o quadro hemorrágico (interno ou externo).
(12) De qualquer forma, mesmo que tenha passado o prazo de seis
horas, todos os esforços devem ser feitos no sentido de evacuar o acidentado
para um Centro Médico.

mordidas de cobras



cobras
Na selva existem inúmeros animais que poderão atuar como inimigo do
homem, se este não estiver capacitado a evitá-los ou a debelar os malefícios
que poderão decorrer da sua peçonha ou do seu veneno.
a. Animal Peçonhento - É aquele que segrega substâncias tóxicas com
o fim especial de serem utilizadas como arma de caça ou de defesa. Apresentam
órgãos especiais para a sua inoculação. Portanto, para que haja uma vítima
de peçonha mento, é necessário que a peçonha seja introduzida por este órgão
especializado, dentro do organismo da vítima.
b. Animal Venenoso - É aquele que, para produzir efeitos prejudiciais ou
letais, exige contato físico externo com o homem ou que seja por este digerido.
Como exemplos de animais venenosos existem o sapo-cururu
 os sapinhos venenosos
 e o peixe baiacu.
FUNÇÃO DA PEÇONHA
Possui uma dupla ação: paralisante e digestiva. Em virtude da reduzida
mobilidade das serpentes, elas necessitam de um meio para deter os movimentos
da sua vítima, de modo a poder ingeri-la. Daí a função paralisante da
peçonha. A digestão nos ofídios, como nos demais animais, faz-se por
decomposição dos alimentos que é facilitada pela inoculação da peçonha,
anterior à ingestão da vítima
AÇAO PATOGÊNICA DA PEÇONHA
Vários fatores interferem na ação patogênica da peçonha. Será de acordo
com esses fatores que haverá maior ou menor gravidade para uma vítima de
empeçonhamento.
a. Local da Picada - No caso dos gêneros “Crotalus” (cascavel) e
“Micrurus” (coral), cujas peçonhas têm ação neurotóxica, quanto mais próxima
dos centros nervosos a picada, maior a gravidade para a vítima. E, também, no
caso da picada de qualquer ofídio peçonhento, se a região atingida for muito
vascularizada, maior será a velocidade de absorção e os efeitos serão mais
precoces.
b. Agressividade - A surucucu-pico-de-jaca e a urutu, além do grande
porte, conseqüentemente, possuem a glândula da peçonha também avantajada,
são as mais agressivas, trazendo maior perigo para a vítima.
c. Quantidade Inoculada - Estará na dependência do período entre uma
picada e outra, bem como da primeira e das subseqüentes picadas, quando
realizadas no mesmo momento. As glândulas da peçonha levam 15 dias para
se completarem.
d. Toxidez da Peçonha - A peçonha crotálica é mais tóxica do que a
botrópica e ambas, menos que a elapídica.
e. Receptividade do Animal Picado - A receptividade à peçonha ofídica
depende do animal haver sido picado anteriormente, desenvolvendo imunidade,
ou não. Estudos recentes comprovaram que o gambá não é exceção à regra,
existindo dúvidas com relação ao urubu. Contudo os animais que foram
tratados com soro antiofídico ao receberem nova dosagem possuem maior
probabilidade de apresentar uma reação anafilática, que pode levar ao choque,
pois o organismo conta com uma memória imunológica contra a proteína
eqüina contida no medicamento.
f. Peso do Animal Picado - A gravidade do caso será proporcional a uma
maior ou menor diluição da peçonha no sangue. Quanto maior o animal, mais
diluída estará a peçonha e menos grave será a sua ação

DIFERENCIAÇÃO 
Não Peçonhentos:
(1) cabeça estreita, alongada, coberta por placas;
(2) olhos grandes com pupilas redondas;
(3) corpo coberto por escamas achatadas e lisas;
(4) cauda longa, afinando gradual e lentamente;
(5) quando perseguidos, fogem;
(6) movimentos rápidos;
(7) hábitos diversos; e
(8) ovíparos (põem ovos).
 Peçonhentos:
(1) cabeça triangular, bem destacada do corpo e coberta por escamas,
à semelhança do corpo;
(2) olhos pequenos, com pupilas em fenda vertical;
(3) existência de fosseta loreal entre os olhos e as narinas;
(4) escamas ásperas, em forma de quilha (carinadas);
(5) cauda curta, afinando bruscamente;
(6) hábitos noturnos;
(7) movimentos lentos;
(8) quando instigados, tomam posição de ataque; e
(9) ovovivíparos - seus ovos são incubados no interior do organismo
materno e, posteriormente, os filhotes são expelidos vivos.


fraturas e TORCEDURAS


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 FRATURAS

 Os feridos com fraturas deverão ser tratados com cuidado e delicadeza,
a fim de que o seu sofrimento não seja aumentado e suas lesões agravadas.
b. Não se deve remover a peça de roupa que cobre um membro fraturado.
Havendo ferimento, cortar e retirar a peça e tratar a lesão (ou ferida) antes de
colocar as talas.
c. A roupa desprende-se com mais facilidade nas costuras.
d. As talas poderão ser improvisadas de peças e partes do equipamento,
ou então de peças de roupas enroladas e bem apertadas, ou ainda de galhos
de árvores, bambus e outros acolchoados com material macio. As talas deverão
ser suficientemente longas, de modo a abranger as juntas acima e abaixo da
fratura.
e. O paciente deverá ser conservado deitado e quieto, procurando-se não
movê-lo desnecessariamente. Procurar manter, com as talas, a fratura bem
imobilizada. Não tentar, em hipótese alguma, forçar os ossos partidos para a
posição que seria normal.
f. Improvisar uma maca para o transporte do ferido com duas blusas de
instrução ou de combate e duas varas, ou com duas varas e um cobertor;
introduzir as varas pelas mangas das blusas ou dobrar meio cobertor sobre as
duas varas dispostas paralelamente, deitar o paciente e recobri-lo com a outra
metade do cobertor.
g. Recomenda-se metodizar o uso de um aparelho plástico, extremamente
leve e portátil, chamado READISPLINT, o qual, dobrado, poderá ser
acondicionado em pequena bolsa ou mesmo nos bolsos do uniforme. Tal
aparelho corresponde aos membros superiores e inferiores e, uma vez adaptado
ao membro fraturado, é inflado pelo sopro. Permite imobilização segura,
fácil e satisfatória sob o ponto de vista ortopédico, bem como o transporte do
ferido por horas seguidas e até por alguns dias, sem molestá-lo.

 TORCEDURAS
Colocar as ataduras e manter em descanso a parte afetada. A aplicação
imediata de frio, no lugar afetado, poderá evitar a inchação. Após diminuir a
inchação (entre 6 ou 8 horas), a aplicação de calor aliviará a dor. Pôr a
extremidade machucada em nível mais alto. Se o uso do membro machucado
for de todo necessário, imobilizar a articulação afetada por meio de forte
enfaixamento. Não havendo ossos fraturados, poder-se-á fazer uso do membro
afetado até o limite permitido pela dor.

QUEIMADURAS e HEMORRAGIAS

QUEIMADURAS
Os regionais recomendam os seguintes tratamentos alternativos, que só
devem ser utilizados em situação de carência dos recursos mais adequados.

a. Aplicar:
(1) o raspado (limo da árvore);
(2) banha de anta ou de veado;
(3) óleo de pequiá;
(4) óleo das sementes de andiroba.
b. Cobrir com qualquer gordura.
c. Colocar leite de bananeira.
2-8. FERIMENTOS INFECCIONADOS
Os regionais recomendam os seguintes tratamentos alternativos, que só
devem ser utilizados em situação de carência dos recursos mais adequados.
Aplicar:
(1) pasta do fruto de juá;
(2) mingau frio da massa de macaxeira;
(3) cataplasma da raiz de abutua, leite de amapá e infusão da casca
de andiroba;
(4) óleo de andiroba ou de copaíba;
(5) folha morna de capeba.
 HEMORRAGIAS
a. Ao apresentar-se um caso de hemorragia, colocar uma compressa
esterilizada diretamente sobre a ferida e comprimi-la com a mão, ou por meio
de ataduras firmemente colocadas. Se a hemorragia não ceder, o membro
ferido deverá ser posto em posição mais elevada.
b. O torniquete ou garrote, somente deverá ser usado quando se tratar de
membro gravemente ferido e quando a hemorragia não puder ser estancada
pela compressa de pressão. Procurar apalpar a artéria mais importante da
região ferida; se a localizar, comprimi-la com os dedos, com a mão aberta ou
fechada, conforme o caso, e o torniquete será de fácil colocação, podendo ser
feito com o auxílio de um pequeno coxim improvisado. O fato de não localizar
a artéria não deve constituir motivo sério de preocupação. O torniquete, quando
aplicado em perna ou braço, na coxa ou no antebraço, deverá ser colocado
entre a ferida e o coração. Os torniquetes devem ser afrouxados de 15 em 15
min ou de 20 em 20 min. Se a extremidade do membro tornar-se fria e de cor
azulada, o torniquete deverá ser afrouxado com freqüência, ao mesmo tempo
que os maiores esforços devem ser envidados para conservar a parte em
tratamento tão quente e agasalhada quanto possível, quando o frio for intenso.
O afrouxamento do torniquete deverá permitir correr o sangue durante alguns
segundos.

PRIMEIROS SOCORROS

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EXAUSTÃO, CÂIMBRAS, INSOLAÇÃO E INTERMAÇÃO
Na falta de sal comum ou de pastilhas de sal, usar-se-á cinza proveniente
das madeiras queimadas em fogueira, em grande quantidade. Poderá, também,
ser obtido sal após cortar em tiras as moelas das aves e colocá-las para
ferver com água. Após a evaporação total da água, retiram-se os pedaços da
moela e no fundo do recipiente (normalmente um caneco ou lata) existirá um
sal grosseiro em condições de uso.
. FERIMENTOS DE MODO GERAL
Os regionais recomendam os seguintes tratamentos, que devem ser
considerados alternativos e somente utilizados na carência de recursos mais
apropriados.
a. Fazer sangrar o ferimento, lavá-lo com limão, aplicar cinza e protegê lo
com atadura.
Aplicar:
(1) cinza;
(2) o picumã, que é a teia de aranha enegrecida pela fuligem;
(3) o raspado, que é o limo das árvores;
(4) a folha morna da capeba;
(5) óleo de copaíba ou de andiroba;
(6) o sumo da casca do matamatá;
(7) o pó da casca do juá ou juazeiro.
c. Lavar:
(1) com chá da casca do cajueiro e aplicar óleo de copaíba;
(2) com água de mangaba brava extraída da casca; torrar a casca, socála
até virar pó e aplicá-la no ferimento.
d. Proceder como os indígenas: urinar em cima do ferimento.

Doenças Intestinais



Evitar Doenças Intestinais
 - Doenças intestinais são aquelas causadas
por germes existentes nas fezes e urina ou por alimentos contaminados.
Normalmente os seus agentes causais são eliminados do corpo pelas fezes e
urina. Geralmente eles são transmitidos por alimentos e água contaminada,
que, por sua vez, são levados pelas mãos ou utensílios de rancho. As principais
doenças intestinais são as disenterias (amebiana e bacilar), a diarréia, a cólera,
as intoxicações e infecções alimentares, as infestações helmínticas (vermes)
e as febres (tífica, paratífica e ondulante). Para evitar essas doenças deverão
ser observadas as seguintes medidas:
(1) Proteção e Purificação da Água - Toda fonte de água deverá ser
cuidadosamente protegida da contaminação pelos detritos humanos ou animais,
a qual poderá ocorrer pela drenagem de superfície ou pela de subsolo. As
fossas ligadas às latrinas e cozinhas deverão ser localizadas de modo tal que
a infiltração e drenagem se processem afastadas e sem perigo para as fontes
de água. Normalmente, o igarapé será a fonte mais comum e, nesse caso,
deverá ser dividido em seções, conforme exposto linhas atrás.
 A purificação da
água na selva raramente será feita como em outras áreas, a não ser que o grupo
esteja aparelhado com o material necessário e vá permanecer por espaço de
tempo relativamente longo em um estacionamento. Sempre que possível,
proceder-se-á a purificação de água do cantil que for obtida no interior da selva,
mesmo aquela colhida dos igarapés, pois estes, também são fontes de água
para os animais que podem contaminá-los com fezes e urina. Além disso,
vegetais em decomposição nas margens e no leito de cursos de água e, ainda,
o uso humano a montante destes podem, também, contaminá-los. Ainda assim,
caso se deseje purificar essa água ou mesmo a proveniente de outras fontes,
deverão ser usados os comprimidos para esse fim destinados, os de Hipoclorito
(Halazone e outros a base de cloro), na dose de um ou dois por cantil,
esperando-se cerca de 30 minutos para, então, poder ser bebida. Outro
processo de purificação será o de ferver a água e depois fazer uma aeração; um
minuto de ebulição e a passagem de um recipiente a outro, ao ar livre, serão o
suficiente. Não só a água para beber, mas também a utilizada em bochechos
e limpeza da boca (escovar os dentes) deverá ser purificada pela fervura ou pelo
comprimido de Hipoclorito. 
Deve ser evitada a utilização de água obtida em
fontes paradas, pois este é um ambiente propício ao desenvolvimento de
amebas de vida livre que não são combatidas pelo purificadores de Hipoclorito

distribuídos à tropa.
(2) Inspeção e Proteção dos Alimentos - Todo alimento deverá sofrer
inspeção, no que respeita à sua aptidão para consumo; esta inspeção deverá
ser feita também nos gêneros que, após terem permanecido guardados,
venham a ser novamente utilizados.
 Quando guardados, deverão ser protegidos
convenientemente; os sacos plásticos prestar-se-ão bem a esse fim. Será
necessário, sempre, muita atenção com aqueles passíveis de perecimento.
Vários processos existem para se guardar alimentos: imersos em água corrente,
enterrados, pendurados em galhos de árvore, dependendo do tipo do
alimento, do tempo de permanência no local, das condições de segurança
contra animais e da quantidade ou volume dos alimentos. Como será normal
na selva cada homem conduzir sua própria alimentação, essas medidas de
inspeção e proteção terão mais aplicação para o caso de grupos e quando
houver permanência mais duradoura nos locais de estacionamento.
(3) Higiene do Rancho - Não será normal, em se tratando de sobrevivência
na selva, a existência de instalações de rancho de campanha, na
acepção genérica do termo; elas existirão quando do desenvolvimento de
operações militares na selva e, neste caso, aplicar-se-ão todas as medidas de
higiene preconizadas pelos manuais. Isto quer dizer que, em sobrevivência,
não haverá rancho organizado, o que, entretanto, não invalidará a aplicação
dessas medidas, sempre que possível, quando se tratar de alimentação. Para
a missão de preparar e distribuir a alimentação, não deverão ser designados
indivíduos portadores de moléstias transmissíveis, com inflamações cutâneas,
feridas ou quaisquer outras lesões; esses indivíduos, se existirem no grupo,
deverão ser alvo de atenção e cuidados especiais. Os utensílios de rancho, tais
como marmitas, talheres e copos, tão logo tenham sido usados, deverão ser
limpos e lavados antes de guardados. Os restos de alimentos deverão ter o
destino geral dos detritos.
(4) Destino dos Detritos - Dar destino adequado aos detritos, quaisquer
que sejam suas origens, é medida fundamental, quando se tratar de um grupo
em estacionamento mais ou menos estável. Na selva, entretanto, não será
normal a execução dessa medida dentro do preceituado pelas regras de
higiene, pelo simples fato de que faltará o material necessário, ainda mais em
se tratando de sobrevivência. Será suficiente que os detritos sejam enterrados,
evitando-se, assim, que insetos e outros pequenos animais tornem-se veículos
de doenças intestinais. Os locais selecionados para enterrá-los deverão ficar
afastados daqueles em que a presença do homem será normal.
(5) Controle de Moscas - Considerando que a mosca, para sua
reprodução, escolhe os locais de detritos, necessita de calor e umidade e sente
atração pelo cheiro, é fácil concluir que o controle será simples, dando-se o
destino conveniente aos detritos e protegendo-se os alimentos que desprendam
cheiro, já que não será possível deixar de existir calor e umidade na selva
equatorial.
(6) Controle do Pessoal Doente - Atribuir especial cuidado a um
companheiro que venha a sofrer de doenças intestinais, principalmente os
acometidos de diarréia. A rigorosa higiene será necessária para evitar que
outros possam ser contaminados, para tanto, os procedimentos a seguir serão

suficientes:
(a) Defecar em lugar apropriado e o mais longe possível do local
de estacionamento da fonte de água, cobrindo os dejetos com terra para evitar
a contaminação por insetos (“buraco de gato”).
(b) Manter asseio corporal rigoroso.
(c) Ingerir bastante água, para evitar a desidratação e, caso seja
disponível, utilizar remédio específico (soro para reidratação oral, tais como
REIDRAT e outros) ou fazer a mistura de sal, açúcar e água na proporção de
uma colher de açúcar e uma “pitada” de sal para cada cantil.

outras medidas de proteção dos pés


 outras medidas de proteção


a. Cuidar dos Pés
(1) Na selva, em princípio, só será possível andar a pé. Longas
caminhadas, por terreno permanentemente ondulado, será a regra geral. Daí a
importância dos cuidados com os pés, os quais deverão ser mantidos limpos,
lavando-os e secando-os com a freqüência possível. Entretanto, andar na selva
com os pés secos será praticamente impossível, pois o suor, a chuva e as águas
dos igarapés, igapós e chavascais não o permitirão; por isso, tais cuidados
deverão ser observados, particularmente durante as paradas para descanso
prolongado.
(2) As meias não deverão estar rasgadas nem cerzidas e o calçado
deverá estar sendo constantemente examinado; o uso de meias finas de
algodão é recomendável, pois elas absorvem a umidade, permitem a evaporação,
apresentam pouca deformação após secarem e, assim, protegem melhor

os pés do que as meias grossas de algodão, de lã ou de nylon.
(3) Calos ou calosidades não deverão ser cortados, para evitar
infecção.
(4) Mantendo-se as unhas limpas e curtas, poder-se-á evitar a unha
encravada e a proliferação de microrganismos entre elas e a pele.
(5) Caso haja atrito entre o calçado e a pele deverá ser aplicado
esparadrapo na parte afetada. Se houver formação de bolhas, estas deverão
ser perfuradas na base, com o máximo de desinfecção possível e protegendose
depois o local com esparadrapo ou gaze.
 Proteger os Olhos e os Ouvidos
(1) Os olhos estarão permanentemente sujeitos à ação de pequenos
insetos e de partículas diversas. A proteção ideal seria com o uso de óculos de
um tipo especial; entretanto, a capacidade de ver seria um pouco afetada, o que
não é aconselhável na selva, onde é fundamental saber enxergar; constituiria,
por outro lado, mais um incômodo e uma preocupação.
(2) Os ouvidos estarão, do mesmo modo, sujeitos àquela mesma ação
e uma boa proteção para eles seria a colocação de algodão; porém, isto
reduziria a capacidade auditiva e, na selva, também é fundamental saber ouvir.
(3) Em conseqüência, para evitar que esses órgãos sejam afetados, o
melhor será manter-se atento, preventivamente, no interior da floresta; será
mais uma preocupação, mas compensará.
 Precaver-se contra Infecções Cutâneas 
- A epiderme constitui a
primeira linha de defesa contra a infecção. Por isso, qualquer arranhão, corte,
picada de inseto ou queimadura, por menor e mais inofensivo que pareça,
merecerá cuidado; qualquer antisséptico deverá ser aplicado, preventivamente.
As mãos não deverão tocar a parte afetada; será suficiente a aplicação do
curativo individual, se houver; se não, o ferimento deverá ser mantido protegido
da melhor forma possível ou, em último caso, exposto mesmo ao ar livre.
d. Conservar Limpos o Corpo, a Roupa e o Local de Estacionamento
(1) A limpeza do corpo é a principal defesa contra os germes infecciosos.
As unhas devem ser mantidas cortadas para evitar o desenvolvimento de
parasitas entre elas e a pele.
(2) Um banho diário - hábito fácil de adquirir-se na selva - com sabão,
ou mesmo sem ele, dedicando-se especial atenção à higiene das partes
dobradas e pudendas, será ideal. Se esse banho não for possível, a limpeza na
maior parte do corpo deverá ser mantida, particularmente das mãos, rosto,
axilas, virilhas e pés.
(3) Após as refeições, dentes e boca deverão ser limpos.
(4) As peças do vestuário, mantidas limpas, ajudarão a proteger contra
infecções cutâneas e parasitas, e, em caso de dificuldade de lavá-las, deverão
elas, sempre que possível, ser sacudidas e expostas ao ar livre. O uso de cuecas
justas deve ser evitado, pois nas proximidades das virilhas e partes pudentas
poderá provocar assaduras pela umidade acumulada que favorecem a ação de
microrganismos. Esses procedimentos concorrerão para uma sensação de
conforto.

(5) No caso de um grupo, será interessante que os homens se
inspecionem mutuamente, corpo e roupa.
(6) Um local de estacionamento na selva deverá ser naturalmente um
lugar limpo, no qual não haja acúmulo das águas das chuvas ou da presença
de animais e insetos. A manutenção desse estado será simples, bastando uma
fossa para lixo e outra para dejetos, suficientemente afastadas, sempre
cobertas com terra após o uso e distantes da fonte de água, quando houver.
Essa fonte será, normalmente, um igarapé e para sua boa utilização deverá ser
dividido em seções: a montante, água para beber e cozinhar; a seguir, água
para banho, água para lavagem de roupa e, por fim, água para qualquer outro
uso, a jusante.

distubio mentais




Precaver-se Contra Distúrbios Mentais
(1) A sensação de medo é normal em homens que se encontram em
situação de perigo. E perigo existe na selva. Entretanto, é bom lembrar que
outros já sentiram medo e, a despeito disso, conseguiram sair-se bem das
dificuldades e perigos.
(2) A fadiga e o esgotamento resultantes de grandes privações
poderão, muitas vezes, conduzir a distúrbios mentais, manifestados sob as
formas de temores graves, cuidados excessivos, depressão ou superexcitamento.
O melhor modo de evitá-los será procurando dormir e descansar o máximo
possível; todavia, alguma atividade deverá ser mantida; além disso, o bom humor
será um tônico real, pois é contagiante.
(3) Maiores atenções deverão ser dedicadas àqueles que se encontrarem
física ou fisiologicamente doentes, a fim de evitar o trauma emocional. Um
mau discernimento da situação, causado por distúrbio mental, poderá ser tão
fatal quanto um tiro do inimigo ou uma picada de serpente peçonhenta. Para
quem quer sobreviver, será fundamental evitar o pânico, e este, na selva,
representará o pior inimigo a vencer.

Calor



EFEITOS Fisiológicos DO CALOR

Do conjunto de regras que se pode utilizar para a conservação da saúde,
algumas não poderão ser aplicadas na selva ou serão seguidas sofrendo as
injunções do momento, enquanto outras deverão ser observadas à risca sob
pena da sanção imediata. Assim, visando a sobreviver nas melhores condições
possíveis, cada indivíduo de per si ou grupos de indivíduos deverão observar
as seguintes regras:
a. Poupar Forças - A fadiga em excesso deverá ser evitada. Quando se
estiver realizando algum trabalho que exija esforço físico ou um deslocamento
através da selva, deverá ser estabelecido um tempo para descanso; 10 ou 15
minutos para cada hora de trabalho físico poderá, em princípio, ser uma base
de partida. Nas horas mais quentes do dia, o repouso deverá realizar-se nos
locais mais cômodos que se apresentarem no momento. Se possível, o homem
aliviar-se-á de toda carga que por ventura transportar e deverá deitar-se.
Durante os repousos maiores, mormente à noite, procurará dormir. Mesmo que
não consiga, a princípio, conciliar o sono, o simples ato de deitar e relaxar os
músculos e a mente causará efeitos recuperadores. Não permitir que a aflição
decorrente da situação por que se passa concorra para o desequilíbrio emocional;
deve-se pensar com calma e pesar todas as possibilidades favoráveis. O
calor na selva equatorial é constante e implica, para o ser humano, em sudação
excessiva. Em conseqüência, se não houver a observância de repouso
freqüente, a par de uma complementação abundante de água e sal, alguns
efeitos poderão advir em prejuízo do indivíduo. Esses efeitos são:

Exaustão - Resultará da excessiva perda de água e de sal pelo
organismo, conseqüência da forte transpiração. Seus sintomas são palidez,
pele úmida, pegajosa e fria, náuseas, tonteiras e desmaios. O socorro a ser
prestado consistirá em fazer com que o indivíduo se deite em área sombreada,
mantendo-lhe os pés em plano mais elevado que o resto do corpo e as roupas
afrouxadas, dando-lhe de beber água fria e salgada. Para isso, dissolver 2
tabletes de sal ou um quarto de colher de chá, ou equivalente, de sal puro, em
um cantil de água, na quantidade de 3 a 5 cantis no espaço de 12 horas. A
solução salina deverá ser ministrada aos goles, a intervalos regulares (2 a 3
minutos entre cada gole ou ingestão), pois, se tomada de vez, poderá ocasionar
vômitos, estabelecendo-se um círculo vicioso: vômitos - desidratação.

Câimbras - Resultarão de um esforço físico continuado que
implique em demasiada sudação, sem que, preventivamente, se tenha tomado
uma quantidade suplementar de sal. Elas poderão atingir qualquer parte
muscular do corpo, sendo mais comuns nas pernas, nos braços e na parede
abdominal. Freqüentemente haverá vômitos e enfraquecimento. O socorro
será o mesmo indicado para a exaustão, à base de ingestão de água salgada
em grande quantidade.

Insolação e Intermação - Os mecanismos de dissipação do calor
não estão funcionando. Aumenta a temperatura corporal e isto acarreta risco de
vida para o indivíduo, se não for tratado com urgência. São situações graves,
com alta taxa de mortalidade, além da elevação da temperatura do corpo,
normalmente leva à inconsciência. Os sintomas são pele quente e seca, com
ausência do suor, dor de cabeça, náuseas, rosto congestionado e possíveis
delírios.
 O mais simples e importante objetivo no socorro é o abaixamento da
temperatura do corpo, o mais rapidamente possível; o melhor modo de
consegui-lo é mergulhá-lo em um banho de água fria, gelada inclusive, se
possível; caso contrário, o paciente deverá ser mantido à sombra, com a roupa
removida, derramando-se então bastante água sobre ele. Este resfriamento
deverá ser continuado, mesmo durante a evacuação. Se consciente, o indivíduo
deverá beber água fria, salgada (como nos casos de exaustão ou câimbras);
se inconsciente, idêntico procedimento deverá ser observado, tão logo volte a si.

 Desses efeitos fisiológicos do calor, os mais comuns são a exaustão
e as câimbras; a insolação e a intermação, apesar de mais perigosos, na selva
equatorial quase não se fazem sentir porquanto o corpo, normal e constantemente,
estará submetido a um processo de refrigeração, quer pelo próprio suor,
quer pela água das chuvas, quer ainda pela água dos igarapés, igapós ou
chavascais; será normal, pois, e mesmo agradável, o indivíduo permanecer,
durante o dia, com o corpo molhado. A par disso, a elevada umidade do ar
concorre para a proteção contra a insolação.

Para proteção contra aqueles efeitos, algumas regras deverão ser
observadas. Assim:
(a) Beber bastante água. Mesmo que não se sinta sede, uma vez
constatado o excesso de suor, deve-se beber água constantemente, para isto
o cantil deve ser regularmente recompletado.
(b) Aclimatar-se. Essa regra não terá aplicação para o indivíduo
que, de uma hora para outra, por acidente, se encontrar numa selva equatorial;
haveria, no caso, uma aclimatação forçada, independente da vontade. O
processo de aclimatação possui quatro características principais:
 começa no 1º dia e poderá estar bem desenvolvido no 4º;
 haverá um aumento na quantidade de suor, aumentando
assim a perda de sal;
 poderá ser acelerado com a realização de exercícios físicos;
 as condições de aclimatação poderão ser retidas por cerca
de uma ou duas semanas após a saída da área afetada pelo calor.
Usar sal, em quantidade extra, nos alimentos e na água.
( Não se alimentar em excesso.

Vestir-se adequadamente. É uma regra difícil de ser seguida;
se o tecido for leve, estará sujeito a ser rasgado pela vegetação e, se grosso,
aumentará a sudação, embaraçará os movimentos e criará sensação de
desconforto; se a vestimenta proteger em demasia, dos pés à cabeça, dificultará
a ventilação e, caso contrário, facilitará o ataque dos animais miúdos
(formigas, mosquitos e outros) e os arranhões pela vegetação; enfim, será, em
última instância, um problema a mais de adaptação.
 Trabalhar à sombra. Regra fácil de seguir, pois a selva é sombreada.

 Compreender o calor. É uma regra para a mente, que trará
benefícios psicológicos com reflexos imediatos no corpo humano. O conhecimento
dos efeitos que o calor poderá produzir e dos processos para evitá-los
ou, no mínimo, atenuá-los, poderá salvar vidas e é de grande importância, em
particular, para o combatente de selva.

O frio na selva equatorial, por estranho que pareça, também se
faz sentir. Não requer, entretanto, medidas especiais adotadas em regiões de
clima frio.
 Na Selva AMAZÔNICA há o fenômeno da friagem que atinge
algumas áreas e, mesmo em outras, onde ele não ocorre, são comuns as
quedas de temperatura à noite. Uma manta de lã proporcionará suficiente
proteção. Efeitos tais como “pé de trincheira” e congelamento de partes do
corpo não terão oportunidade de ocorrer, a não ser nas regiões andinas.

conservando a saúde



A capacidade de sobrevivência residirá, basicamente, numa atitude
mental adequada para enfrentar situações de emergência e na posse de
estabilidade emocional, a despeito de sofrimentos físicos decorrentes da
fadiga, da fome, da sede e de ferimentos, por vezes, graves.
b. Se o indivíduo ou o grupo de indivíduos não estiver preparado
psicologicamente para vencer todos os obstáculos e aceitar os piores reveses,
as possibilidades de sobreviver estarão sensivelmente reduzidas.
c. Em casos de operações militares, essa preparação avultará então de
valor. O conhecimento das técnicas e dos processos de sobrevivência constituirão
em requisitos essenciais na formação do indivíduo destinado a viver na
selva, quer em operações militares, quer por outra circunstância qualquer.
d. Conservar a saúde em bom estado será requisito de especial importância,
quando alguém se encontrar em situação de só poder contar consigo
mesmo para salvar-se ou para auxiliar um companheiro. Da saúde dependerão,
fundamentalmente, as condições físicas individuais.
e. Na selva, saber defender-se contra o calor e o frio, saber encontrar
água e alimento, saber prestar os primeiros socorros, em proveito próprio ou
alheio, serão tarefas de grande importância para a preservação da saúde.

caatinga


Caatinga

Vegetação Secundária

 É a vegetação decorrente do impacto da ação humana sobre a
selva; em conseqüência, é encontrada nos arredores das localidades, nas
margens das rodovias e ferrovias e nas adjacências de clareiras indígenas,
onde a luz solar atinge o solo.
 Entretanto, não é só a ação humana a responsável
por ela; os cursos de água, as quedas de árvores gigantes, os lagos ou lagoas
também contribuem para a existência de grandes vazios, ao redor dos quais,
conseqüente à penetração solar, desenvolve-se a vegetação secundária.

 Em se tratando de sobrevivência ou operações militares, essa
vegetação tem grande significado, pois o homem, ao se defrontar com ela -
identificada pela coloração verde-clara de suas folhagens, em comparação
com a verde-escura da selva - terá sempre a esperança de encontrar, a seguir,
uma localidade, uma estrada, clareiras, rios ou lagos. É claro que o encontro de
uma localidade ou de uma estrada significa, na quase totalidade dos casos, a
salvação. Porém, clareiras, rios ou lagos, muitas vezes são acidentes perdidos
na imensidão da selva, os quais, à primeira vista, poderão parecer sem
significado para quem procura livrar-se da floresta; assim sendo, o encontro
com um acidente destes, na realidade, pode ser considerado também como a
salvação, pois dele é muito mais fácil a ligação terra-ar. Daí a importância da
vegetação secundária, sem esquecer, contudo, que a selva amazônica é
imensa e o seu desconhecimento ainda é quase total, razão por que as
surpresas poderão apresentar-se a cada passo, de modo a confundir ou mesmo
anular as primeiras esperanças de um sobrevivente 

campestres


Manchas Campestres 

 As ocorrências campestres na região apresentam
desenvolvimento espacial reduzido em comparação com a área
ocupada pela floresta. Não ocorrem em grandes extensões contínuas, mas sim
constituindo verdadeiras manchas isoladas na vastidão da selva, com contornos
geralmente bem definidos. São também provocadas pela retirada da
vegetação, pelo crescimento de localidades, abertura de estradas, queimadas,
derrubadas de árvores para formação de pasto ou qualquer outro tipo de
atividade econômica. Abrangem campos limpos, campos cerrados, campos de
várzeas, campinaranas, campos artificiais e caatingas.
 Os campos limpos são compostos por gramíneas e outras ervas altas, muitas vezes com algumas
árvores esparsas. Os cerrados existentes não se diferenciam muito
daqueles das demais regiões brasileiras; nota-se apenas que há uma redução
no número de espécies que os compõem, naturalmente em decorrência das
características do solo.
O capim barba-de-bode, chamado pelos locais de rabo de-burro,
é a gramínea que reveste a maior parte do solo atapetado, encontrando-
se, esparsamente, árvores de galhos retorcidos, de folhagem pouco desenvolvida.
Esses campos são encontrados no Estado do AMAPÁ, em uma faixa
que ocorre paralelamente à costa e após a faixa de vegetação litorânea dos
mangues, no Estado de RORAIMA, onde ocupam toda a porção nordeste, no
Estado de RONDÔNIA, no Estado de TOCANTINS e em parte do sudoeste
maranhense, como prolongamento dos cerrados do centro-oeste, que buscam
um contato com a floresta amazônica e com a zona dos cocais. Outras manchas
bem menores são encontradas entre as localidades de HUMAITÁ e LÁBREA,
no Estado do AMAZONAS, e ao norte da linha MONTE ALEGRE-ALENQUERÓBIDOS,
no Estado do PARÁ. De modo geral, os campos limpos e os cerrados

floresta de mangue


floresta de mangue 
Mangues

 Também denominados mangais são encontrados bordejando
o litoral amapaense, paraense e maranhense, realizando incursões
variáveis para o interior, particularmente ao longo das margens de alguns rios
que sofrem influência da água salgada das marés.

 Sua vegetação é inconfundível e apresenta características muito
especiais: vive em ambiente salgado ou salobro, tem grande capacidade de
reprodução e invade zonas lodosas, para cuja consolidação concorre.
 As três variações, vermelho, branco e preto, sucedem-se nesta

ordem, geralmente a partir da linha da baixa-mar para o interior, ocupando as
duas primeiras a frente, e a terceira, a retaguarda. A vegetação do mangue
vermelho - o mangueiro - e do mangue preto - a siriúba - alcança alturas de até
20 metros e algumas vezes apresenta um emaranhado denso e bastante largo;
é mais comum, entretanto, constituir uma faixa de uns 20 metros de largura, ao
longo dos cursos de água ou beira-mar. O mangueiro é caracterizado pela
massa compacta de raízes aéreas que partem dos galhos em direção a água
e, em conjunto, constitui obstáculo a vencer; já a siriúba, com o seu tronco mais
ereto, não apresenta esse aspecto.
 É freqüente encontrar-se misturada à vegetação de mangue uma
outra, denominada matagal litorâneo, onde podem sobressair diversas espécies
de plantas, entre elas as palmeiras ou coqueiros esparsos, como o meriti, o

açaí, o jupati, a aninga, a samaúma, etc.